segunda-feira, 20 de julho de 2026
sábado, 27 de junho de 2026
Leituras de Abril
António Lobo Antunes, "Memória de elefante"
António Lobo Antunes, "Os Cus de Judas
António Lobo Antunes, "Cartas de guerra"
Leituras de Junho
De Afonso Reis Cabral, "O último avô"
Tove Ditlevsen, "A Trilogia de Copenhaga"
Annie Ernaux, "Um lugar ao sola" seguido de "Uma mulher"
quinta-feira, 5 de março de 2026
António Lobo Antunes
De Teresa Martins Marques (facebok)
RIP
António Lobo Antunes (Benfica, Lisboa, 1 de setembro de 1942 - 5 de março de 2026) foi um escritor e médico psiquiatra português.
Estudou na Faculdade de Medicina de Lisboa e especializou-se em Psiquiatria. Exerceu, durante vários anos, a profissão de médico psiquiatra. Em 1970 foi mobilizado para o serviço militar. Embarcou para Angola no ano seguinte, tendo regressado em 1973. Em 1979 publicou os seus primeiros livros, Memória de Elefante e Os Cus de Judas, seguindo-se, em 1980, Conhecimento do Inferno. Estes primeiros livros são marcadamente biográficos, e estão muito ligados ao contexto da guerra colonial; imediatamente o transformaram num dos autores contemporâneos mais lidos e discutidos, no âmbito nacional e internacional. Todo o seu trabalho literário tem sido, ao longo dos anos, objecto dos mais diversos estudos, académicos ou não, e dos mais importantes prémios, nacionais e internacionais. A sua obra encontra-se traduzida em numerosos países.
OBRA LITERÁRIA
Memória de Elefante, (1979)
Os Cus de Judas, (1979)
Conhecimento do Inferno, (1980)
Explicação dos Pássaros, (1981)
Fado Alexandrino, (1983)
Auto dos Danados, (1985)
As Naus, (1988)
Tratado das Paixões da Alma, (1990)
A Ordem Natural das Coisas, (1992)
A Morte de Carlos Gardel, (1994)
A História do Hidroavião (com ilustrações de Vitorino), (1994)
Manual dos Inquisidores, (1996)
O Esplendor de Portugal, (1997)
Livro de Crónicas, (1998)
Exortação aos Crocodilos, (1999)
Não Entres Tão Depressa Nessa Noite Escura, (2000)
Que farei quando tudo arde?, (2001)
Segundo Livro de Crónicas, (2002)
Letrinhas das Cantigas (edição limitada), (2002)
Boa Tarde às Coisas Aqui em Baixo, (2003)
Eu Hei-de Amar Uma Pedra, (2004)
D'este viver aqui neste papel descripto: cartas da guerra ("Cartas da Guerra"), (2005)
Terceiro Livro de Crónicas, (2006)
Ontem Não Te Vi Em Babilónia, (2006)
O Meu Nome é Legião, (2007)
O Arquipélago da Insónia, (2008)
Que Cavalos São Aqueles Que Fazem Sombra no Mar?, (2009)
Sôbolos Rios Que Vão, (2010)
Quarto Livro de Crónicas, (2011)
Comissão das Lágrimas, (2011)
Não É Meia Noite Quem Quer, (2012)
Quinto Livro de Crónicas, (2013)
Caminho Como Uma Casa Em Chamas, (2014)
Da Natureza dos Deuses, (2015)
Para Aquela que Está Sentada no Escuro à Minha Espera, (2016)
Até Que as Pedras Se Tornem Mais Leves Que a Água, (2017)
A Última Porta Antes da Noite, (2018)
A Outra Margem do Mar, (2019)
Dicionário da Linguagem das Flores, (2020)
O Tamanho do Mundo (2022)
As Outras Crónicas (2024)
segunda-feira, 2 de março de 2026
Entrevistas a António Lobo Antunes
Durante quatro horas, estive a ver entrevistas a este escritor, feitas por Clara Ferreira Alves, Ana Sousa Dias e Fátima Campos Ferreira.
Vou lê-lo e relê-lo todo.
O tempo passou
Houve um tempo de silêncio persistente que me enublou e me impediu de ler.
Mas entre janeiro e fevereiro deste ano, li:
O vento conhece o meu nome de Isabel Allende
A professora de Freida Mcfadden
O café da Lua Cheia de Mai Mochizuki
O filho do pai de Hugo Gonçalves
O gato que nunca partiu de Hiro Arikawa
Os pretos do Sado de Isabel Castro Henriques
Os nomes de Feliza de Juan Gabriel Vásquez
O barulho das coisas ao cair de Juan Gabriel Vásquez
Melhor não contar de Tatiana Salem Levy
Caderno de memórias coloniais de Isabela Figueiredo
terça-feira, 13 de fevereiro de 2024
O que tenho lido
O quarto do Bebé de Anabela Mota Ribeiro
Abelhas Cinzentas de Andrei Kurkov
Paula Rego de Cristina Carvalho
Dom Casmurro de Machado de Assis
Ventos do Apocalipse de Paulina Chiziane
Um cão no meio do caminho de Isabela Figueiredo
Baumgartner de Paul Auster
domingo, 24 de dezembro de 2023
Natal - Poema de Manuel Alegre
Natal
Era gente a correr pela música acima.
Uma onda uma festa. Palavras a saltar.
Eram carpas ou mãos. Um soluço uma rima.
Guitarras guitarras. Ou talvez mar.
E acontecia. No vento. Na chuva. Acontecia.
Na tua boca. No teu rosto. No teu corpo acontecia.
No teu ritmo nos teus ritos.
No teu sono nos teus gestos. (Liturgia liturgia).
Nos teus gritos. Nos teus olhos quase aflitos.
E nos silêncios infinitos. Na tua noite e no teu dia.
No teu sol acontecia.
Era um sopro. Era um salmo. (Nostalgia nostalgia).
Todo o tempo num só tempo: andamento
de poesia. Era um susto. Ou sobressalto. E acontecia.
Na cidade lavada pela chuva. Em cada curva
acontecia. E em cada acaso. Como um pouco de água turva
na cidade agitada pelo vento.
Natal Natal (diziam). E acontecia.
Como se fosse na palavra a rosa brava
acontecia. E era Dezembro que floria.
Era um vulcão. E no teu corpo a flor e a lava.
E era na lava a rosa e a palavra.
Todo o tempo num só tempo: nascimento de poesia.
Manuel Alegre, in 'Antologia Poética'
Natal - Poema de José Jorge Letria
Ode aos Natais Esquecidos
que dava acesso aos mistérios da noite,
daquela noite em particular, por ser a mais terna
de todas as noites que a minha memória
era capaz de guardar, com letras e sons,
no seu bojo de coisas imateriais e imperecíveis.
Tinha comigo os cães e os retratos dos mortos,
a lembrança de outras noites e de outros dias,
os brinquedos cansados da solidão dos quartos,
os cadernos invadidos pêlos saberes inúteis.
E todos me diziam que era ainda muito cedo,
porque a meia-noite morava já dentro do sono,
no território dos anjos e dos outros seres alados,
hora inatingível a clamar pela nossa paciência,
meninos hirtos de olhos fixos na claridade
enganadora de uma árvore sem nome.
Depois, o meu pai morreu e as minhas ilusões também.
Tudo se tornou gélido, esquivo e distante
como a tristeza de um fantasma confrontado
com a beleza da vida para sempre perdida.
Deixaram de me dar presentes e de dizer
que era o Menino Jesus que os trazia
para premiar a minha grandeza de alma,
o meu desejo de ser bom para os outros.
Passei a escrever sobre tudo isso, sofregamente,
só para não ter de escrever sobre a saudade
que esse tempo fugidio deixou em mim.
A árvore mirrou de frio num canto da sala,
os presentes apodreceram no sótão da casa,
juntamente com os doces da Consoada
que ninguém teve vontade de comer,
nem mesmo os mais gulosos como eu.
Um homem de muita idade bateu-me à porta
e depositou-me nas mãos um pequeno embrulho:
«Eis o teu presente de Natal» — disse-me.
Abri-o e vi um livro onde se contava
toda a minha vida desde o primeiro Natal
de que conseguia lembrar-me, tudo o mais esquecendo.
Ali estava eu de pé, muito quieto, junto da árvore,
à espera que alguém me viesse dizer
que o céu era pródigo em revelações e dádivas.
Era para lá que eu sonhava ir quando morresse.
Quando Dezembro se aproximar do fim,
lançarei pétalas ao vento como se tentasse
semear o perfume do que fui enquanto acreditei.
Talvez o homem volte com outro embrulho secreto,
só para me dizer que esse é o livro que ainda me falta escrever.
Então, juntarei os amigos, os filhos e os netos
numa roda de luz à minha volta e direi do Natal
o que os antigos diziam dos heróis e dos deuses:
foi à sombra deles que nos fizemos homens.
Quando eu partir de vez, lembrem ao menos
a ternura do meu sorriso de menino
quando a meia-noite soava no relógio da sala
e eu acreditava ainda que a felicidade era possível.
José Jorge Letria, in 'Natal'
Natal - Poema de António Gedeão
Dia de Natal
É dia de passar a mão pelo rosto das crianças,
de falar e de ouvir com mavioso tom,
de abraçar toda a gente e de oferecer lembranças.
É dia de pensar nos outros – coitadinhos – nos que padecem,
de lhes darmos coragem para poderem continuar a aceitar a sua miséria,
de perdoar aos nossos inimigos, mesmo aos que não merecem,
de meditar sobre a nossa existência, tão efémera e tão séria.
Comove tanta fraternidade universal.
É só abrir o rádio e logo um coro de anjos,
como se de anjos fosse,
numa toada doce,
de violas e banjos,
entoa gravemente um hino ao Criador.
E mal se extinguem os clamores plangentes,
a voz do locutor
anuncia o melhor dos detergentes.
De novo a melopeia inunda a Terra e o Céu
e as vozes crescem num fervor patético.
(Vossa excelência verificou a hora exacta em que o Menino Jesus nasceu?)
Não seja estúpido! Compre imediatamente um relógio de pulso antimagnético.)
Torna-se difícil caminhar nas preciosas ruas.
Toda a gente acotovela, se multiplica em gestos esfuziante,
Todos participam nas alegrias dos outros como se fossem suas
e fazem adeuses enluvados aos bons amigos que passam mais distante.
Nas lojas, na luxúria das montras e dos escaparates,
com subtis requintes de bom gosto e de engenhosa dinâmica,
cintilam, sob o intenso fluxo de milhares de quilovates,
as belas coisas inúteis de plástico, de metal, de vidro e de cerâmica.
Os olhos acorrem, num alvoroço liquefeito,
ao chamamento voluptuoso dos brilhos e das cores.
E como se tudo aquilo nos dissesse directamente respeito,
como se o Céu olhasse para nós e nos cobrisse de bênçãos e favores.
A oratória de Bach embruxa a atmosfera do arruamento.
Adivinha-se uma roupagem diáfana a desembrulhar-se no ar.
E a gente, mesmo sem querer, entra no estabelecimento
e compra – louvado seja o Senhor! – o que nunca tinha pensado comprar.
Mas a maior felicidade é a da gente pequena.
Naquela véspera santa
a sua comoção é tanta, tanta, tanta,
que nem dorme serena.
Cada menino abre um olhinho
na noite incerta
para ver se a aurora já está desperta.
De manhãzinha
salta da cama,
corre à cozinha em pijama.
Ah!!!!!!!
Na branda macieza
da matutina luz
aguarda-o a surpresa
do Menino Jesus.
Jesus,
o doce Jesus,
o mesmo que nasceu na manjedoura,
veio pôr no sapatinho
do Pedrinho
uma metralhadora.
Que alegria
reinou naquela casa em todo o santo dia!
O Pedrinho, estrategicamente escondido atrás das portas,
fuzilava tudo com devastadoras rajadas
e obrigava as criadas
a caírem no chão como se fossem mortas:
tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá.
Já está!
E fazia-as erguer para de novo matá-las.
E até mesmo a mamã e o sisudo papá
fingiam
que caíam
crivados de balas.
Dia de Confraternização Universal,
dia de Amor, de Paz, de Felicidade,
de Sonhos e Venturas.
É dia de Natal.
Paz na Terra aos Homens de Boa Vontade.
Glória a Deus nas Alturas.
António Gedeão, in 'Antologia Poética'
Natal - Poema de David Mourão - Ferreira
Ladainha dos Póstumos Natais
em que se veja à mesa o meu lugar vazio
Há-de vir um Natal e será o primeiro
em que hão-de me lembrar de modo menos nítido
Há-de vir um Natal e será o primeiro
em que só uma voz me evoque a sós consigo
Há-de vir um Natal e será o primeiro
em que não viva já ninguém meu conhecido
Há-de vir um Natal e será o primeiro
em que nem vivo esteja um verso deste livro
Há-de vir um Natal e será o primeiro
em que terei de novo o Nada a sós comigo
Há-de vir um Natal e será o primeiro
em que nem o Natal terá qualquer sentido
Há-de vir um Natal e será o primeiro
em que o Nada retome a cor do Infinito
David Mourão-Ferreira, in 'Cancioneiro de Natal'
A Morte
Este ano foi demasiado violento para mim.
Depois da morte da minha mãezinha no final de 2017, o meu pai e o meu marido, o meu sogro e a única cunhada deixaram-me este ano.
Ganhei uma doença oncológica.
E mais umas preocupações.
A ideia de Morte e de Luto está agora muito presente.
Às vezes apetece-me ir também mas penso em quem ficou e nas suas circunstâncias.
Sobreviverei.
sábado, 28 de janeiro de 2023
domingo, 27 de fevereiro de 2022
quarta-feira, 10 de novembro de 2021
Leitura de Julho
"A casa dos espíritos" de Isabel Allende "Empúsio" de Olga TokarczuK
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Marina revela o segredo de Oscar Drai, que , decide voltar Barcelona para nos contar uma história de amor que o marcará para sempre. A hi...
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Reli "O Delfim" de José Cardoso Pires e deixo aqui um apelo à sua leitura, através do clube de leitura do PNL. "O Delfim...




